Wander Santos


A era Dunga

O futebol brasileiro experimenta uma nova fase com a seleção comandada por Dunga. Muito criticado no início por todos nós da imprensa, por não ter um curriculum de treinador, sem ter passado por nenhum clube até mesmo nas categorias de base, Dunga soube com paciência e serenidade engolir as críticas ao seu trabalho no começo de uma carreira até então exercida por mestres e por grandes nomes do futebol nacional, renomados treinadores, famosos e declinados por suas conquistas à frente de grandes clubes do nosso país.

Pela sua determinação e liderança em campo, quando jogador, principalmente com a seleção campeã do mundo, quando ostentou bravamente e sob todos os olhares a tarja de capitão, razão da sua escolha para ser o técnico do Brasil, deixando muita gente cotada e experiente na função a ver navios.

O Dunga tem a seu favor, os números e os números não mentem, é uma ciência exata. Tem a seu favor uma campanha exemplar, porque não espetacular, até que se prove o contrário. As expressivas vitórias diante de seleções fortes e tradicionais como Argentina e Uruguai; Chile e Paraguai com bom rendimento técnico também caíram diante da seleção de Dunga que mostrou a trajetória de um vencedor. “A seleção do Dunga”, hoje Seleção do Brasil, campeã da Copa América e classificada por antecipação para o Mundial da África do Sul. Dunga montou um escrete a princípio alternativo e competitivo e mostrou que os craques não são intocáveis, eles têm que estar bem, jogando bem, para serem convocados. Não importa quem. Assim, o técnico que tem apelido de anão, de contos de fadas, aquele que era o que mais sobressaia e tinha confiança da Branca de Neve e liderava os outros pequeninos. Muitas vezes nervoso com a imprensa, arredio às perguntas e com respostas sinceras, ele foi aos poucos, com sua humildade e paciência formando a sua condição de treinador. Deixou o status de dublê para se tornar um técnico, de jogadas ensaiadas, com poucos esquemas táticos. Usou as estratégias de guerra, quando foi preciso usá-las em campo. Ele se baseou muito nos relatos de “A Arte da Guerra”.

Fica o exemplo de quem quer ser vitorioso, a perseverança tem lugar para aqueles que a exercem. A motivação supera a inexperiência e busca com trabalho a tão exigida e propagada experiência. Este é o Dunga do Brasil!

* Alexandre Kalil surpreende mais uma vez ao anunciar na quinta-feira a contratação do meia atacante Ricardinho. Tudo no mais completo sigilo sem prévias badalações. O meia vem se juntar aos outros  contratados: Coelho, Carini e Benitez. É preciso que estes reforços entrem logo em campo, esperar o final do campeonato de nada vai adiantar.

* O Cruzeiro também se reforçou com Cláudio Caçapa e Patric que podem estrear neste domingo, em Porto Alegre. Uma sequência de jogos nada fáceis; Palmeiras em casa e Barueri no interior paulista.

* Gol de placa - o vereador e comentarista esportivo Nardyello Rocha apresentou o projeto Programa Bolsa Atleta já aprovado, que consiste em auxiliar os atletas devidamente matriculados nas redes pública e privada de Ipatinga e com mais de 80% de frequência poderão contar com o programa. Sendo assim os alunos que tenham obtidos da 1ª à 3ª colocações individuais poderão receber o benefício.

 
O caminho de volta

O Galo não conseguiu segurar a onda e despencou na tabela num momento complicado, quando os times de tradição e fortes na competição começaram a jogar pra valer e ainda por cima reforçados. Exemplo de Palmeiras, São Paulo, Internacional; com o Goiás mantendo-se no pelotão de frente, tendo o Barueri surpreendendo. A sequência de jogos fora de casa, no Sul contra Grêmio e Inter, os empates dentro de casa, levaram o time ao descrédito. O Atlético perdeu vários jogadores de uma só vez, desfalcando e desmontando o sistema tático do técnico Celso Roth. O time acabou mostrando vulnerabilidade e a falta de qualidade das peças de reposição. Se os considerados titulares não são acima da média, alguns até abaixo, o time ficou sem referência, ficou fatiado. Encontrar o caminho de volta. Encontrar o caminho do entrosamento ainda vai demorar pelo menos mais três rodadas. Jonilson e Márcio Araújo, adaptados ao sistema defensivo, de combate e saídas rápidas, estão fazendo falta. A segurança e experiência do goleiro Aranha fazem a diferença, uma ausência também muito sentida. Welton Felipe terá que voltar a ser Welton Felipe, o zagueirão dos chutões, do “arroz com feijão”. A sintonia do meio-campo terá que ser retomada, com Junior voltando a jogar bem, Evandro, e Renan Oliveira sem o peso da responsabilidade. Celso Roth com os reforços de qualidade (Coelho, Jorge Luiz e Corrêa) tem que ajustar o time e fazer o Galo mais competitivo, ser menos retranqueiro e imbatível em casa com a força da torcida.

* Clássico dos goleiros - Assim como foi o jogo entre São Paulo e Palmeiras, com destaques para Rogério Ceni e Marcos, esse Cruzeiro e São Paulo de amanhã no Mineirão pode definir com os goleiros o resultado da partida. Em ação os goleiros Rogério Ceni e Fábio num espetáculo à parte. O Cruzeiro na disputa da Libertadores levou a melhor foram duas vitórias, no Mineirão e no Morumbi. Hoje o tricolor está mais encorpado, mais forte e o Cruzeiro mais light, sem Ramires, Wagner e Kléber e com uma defesa oscilando muito. É jogo para assistir sem piscar os olhos.

Tigrão só empata - pela terceira vez, o empate em casa. O Ipatinga vem perdendo pontos preciosos jogando no Ipatingão. Não está fazendo valer a sua força com o apoio da torcida. Parece uma sina, o time não consegue atuar bem diante da sua torcida. Fica difícil explicar a má atuação de alguns jogadores considerados intocáveis nesse time. Depois que nós da imprensa “enchemos a bola de alguns deles”, estes passaram da eficiência para a ineficiência, errando muito e nada produzindo em campo. É preciso que o doutor Geraldo Coelho faça um estudo de tese das contusões do Léo Oliveira. Uma contusão crônica o deixa como cliente vip do Departamento Médico.

Charanga - insuportável a charanga que fica do lado esquerdo das cabines, na arquibancada do Ipatingão nos jogos do Tigre. Desafinada, barulhenta, irritante para quem está trabalhando e para quem está assistindo aos jogos. Ela deveria perturbar o goleiro do time adversário, atrás do gol, já seria um imenso favor.

*Logo mais à noite tem Argentina e Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Haja coração! Rivalidade a toda prova!!

 
Situação preocupante

 

É preciso exigir mais de alguns jogadores do Atlético nos fundamentos de bola parada, nas batidas de escanteios, faltas a média distância, pênaltis, lançamentos, chutes a gol e nos cruzamentos de linha de fundo. Erros imperdoáveis nesses fundamentos tem levado o time ao ridículo. Perdem ótimas chances durante uma partida, fatores que são decisivos para conquistar os três pontos. Hoje, com a forte marcação exercida pela maioria dos times, já não é possível as jogadas e dribles fantásticos que se faziam algumas décadas atrás.

Priorizar a marcação sem se esquecer do poder de ataque, de articulação, de velocidade e passes certos.

As equipes são niveladas, medianas nas duas Séries do Brasileiro. Duas, no máximo três equipes, possuem um elenco forte e de qualidade, são exatamente as que estão na parte de cima em franca recuperação. Incluem-se o São Paulo e o Palmeiras, fortes candidatos ao título. Goiás, um time comum que está se reforçando e fazendo valer a sua força dentro de seus domínios. O Internacional se ajustando, tem tradição e luta pelas primeiras colocações. Na sequência estão o Atlético Mineiro e Corinthians, que possuem raça, força de vontade, determinação e muita aplicação, mas com pouca qualidade, se valendo de dois ou três jogadores que desequilibram em certas partidas. Alternando bons e maus momentos na competição. O Grêmio Barueri é a grata surpresa nesse grupo de cima, ao seu lado o Avaí que também vem obtendo resultados expressivos dentro e fora de casa. Ambos montaram times competitivos. Vai até onde der e já estará bom demais. Cruzeiro, Grêmio, Santos podem chegar, mas não vão passar do meio da tabela. O Fluminense vive uma das piores fases, praticamente vai dando adeus, se despedindo a cada rodada da Série A. Está muito próximo do rebaixamento. Os jogos desse fim de semana são importantes para o Atlético, interessa de perto os duelos entre São Paulo e Palmeiras e Inter e Goiás. O Galo enfrenta o lanterna Sport no Mineirão, onde a vitória é o único resultado que lhe favorece na tabela. A situação do time é preocupante, são nove pontos perdidos em casa.

Com relação aos jovens que subiram do Juniores, é preciso paciência, lapidação, pois ainda não atingiram o ponto certo, necessitam de uma melhor preparação para jogar no profissional. São garotos que carecem de detalhes para se firmarem, entre eles, a orientação psicológica do momento que vive o time. Quanto aos reforços é esperar para ver se eles serão mesmo “reforços”.

O Cruzeiro continua no sobe e desce, alternando seus jogos, vai lentamente se recuperando na competição, dentro do previsto.

* O Vasco liderando a Série B, vai encontrando o caminho de volta. Está numa crescente e deve conquistar o seu objetivo.

O Tigrão, lamentavelmente em casa não consegue ganhar. Falta atitude, melhor estudo do adversário, postura em campo e determinação. Não consegue transformar o fator mando de campo em vantagem. Sua permanência na Série B começa a balançar. Se não vierem os resultados positivos, principalmente em casa, o fantasma vai crescendo e tomando forma de Terceira Divisão.

 

 
Vasco 111 anos de tradição

O Clube de Regatas Vasco da Gama completa hoje 111 anos de glórias, títulos, conquistas memoráveis, lembranças de muitas gerações, de times inesquecíveis, e de ídolos que serviram a Seleção Brasileira, jogadores que conquistaram fama com a camisa cruzmaltina, heróis e vilões nessa trajetória do futebol brasileiro se estendendo para o velho mundo e ultrapassando fronteiras. Um dos maiores ídolos do clube, hoje o seu presidente, Roberto Dinamite, o maior artilheiro da história do Vasco e o maior artilheiro dos Campeonatos Brasileiros, quer ver o time voltando a Série A.

Os torcedores de gerações mais distantes lembram com orgulho do Expressinho Vascaino, nos anos 50. Jogadores que fizeram história e brilharam em campo como Belini, Vavá, o Leão da Copa, Almir o Pernambuquinho, Coronel, Barbosa, Pinga, Joel Santana, Fontana, Brito, Romário, Edmundo, Juninho Pernambucano, o Jovem Dener, e muitos outros craques que vestiram e honraram a camisa vascaina. Inúmeras vezes campeão carioca e Taça Torneio Rio/São Paulo, Campeão da Libertadores, Sul-Americana, Tetra Campeão Brasileiro, este Vasco que aprendi a gostar desde menino com meu pai, meu tio e primos, lá na Grande Viçosa, numa família vascaina. Hoje, fico na torcida pelo nosso Tigrão de Aço. Vasco reúne no Maracanã muita gente que passou pelas fileiras de sua diretoria e ex-jogadores ilustres. A festa terá um coadjuvante de 100 anos mais novo, o Ipatinga, o nosso Tigrão que pode até roubar a cena.

* Galo em queda - Frustração da torcida atleticana numa sequência de três resultados ruins, empate com o Palmeiras, derrota para o Corinthians, e este 2 a 2 com sabor de derrota para o Avaí. O Galo deixou escapar a chance de voltar ao G4, quando foi ajudado na rodada pelas derrotas de Palmeiras, Inter e Goiás. Edson mostrou que não tem futebol e nem condições psicológicas para jogar no gol do Atlético. Amanhã tem o Grêmio pela frente, no estádio Olímpico. A torcida já está com as barbas de molho.

* Boa a virada do Cruzeiro pra cima do Flamengo no Maracanã. O time estrelado começa a dar sinais de recuperação, sete pontos ganhos em 9. Não pode é engasgar com o Náutico no Mineirão.

* O Tigre precisa entrar logo mais contra o Vasco no Maracanã, sem medo, mostrar logo que vai colocar água no chope. Ser ousado, pra frente!

* A convocação de Diego Tardeli para o amistoso contra a Estônia, deixou clara a situação forjada para valorizar o atleta em caso de uma possível negociação, tirando-o justamente do jogo contra o Palmeiras. Como Kallil não aceitou nenhuma proposta de venda, o jogador não foi relacionado por Dunga para os dois próximos jogos das eliminatórias. O cheiro de armação ficou no ar!

* Uma pena que a Rádio Educadora depois de três décadas fechou seu departamento de esportes. Minha história no Vale do Aço passa pela Rádio Educadora. Eu fui um dos pioneiros nas suas transmissões esportivas no início dos anos 80, juntamente com Jonas Conti, Dinei Monteiro Escáfora, Salvador Nunes, Pedro Márcio, Edmar Moreira, Geraldo Magela Junior, equipe linha de frente e depois Aparecida Neves, Emiliano Magno, Aurélio Caixeta, Sinésio Miranda, Roberto Moutinho, Lima Muniz, Cacau Borges, Ademir Cunha, Paulo César Santos, Dudu da Loteca, José Marcelo, Moacir Arantes, Tiãozinho, Giovani, Dário de Freitas, Nelcy Romão e muitos outros que passaram pela emissora como Flávio Anselmo, Orlando Moreira, Eustáquio Silva Neto. Já nessa década foram revelados pela emissora, Sérgio Santos, Roberto Nogueira, Artur Cunha, Jeferson Rocha. Lamentável e ponto final!

 
Esperança ainda que tardia

A torcida do Cruzeiro está numa decepção enorme com o seu time no Campeonato Brasileiro com uma campanha irregular, pífia. O reflexo pode ser a perda da Copa Libertadores, o que para alguns críticos já deveria ser sido assimilado por todo o elenco e comissão técnica. Eu penso da mesma forma e analiso a situação atual como falta de superação. Esse trauma existe apenas nos dois primeiros jogos após o fracasso numa competição. O desempenho em outra competição não pode sentir os efeitos de uma derrota na falta do título que se foi, que se deixou escapar pelos próprios erros e incompetência. O trabalho psicológico com o atleta deve ser feito imediatamente, a auto-estima do jogador tem que ser recuperada de imediato, pois outros desafios estão por vir, bem a frente. Faz parte da profissão, perder e ganhar. O que estou sentindo no Cruzeiro é uma filosofia de trabalho que foi perdida, quando se apostou tudo numa competição internacional que renderia uma fábula de euros até o final da temporada, com a disputa de um título mundial. A culpa por mais que não se deixe transparecer recai sobre um comandante. E como despachá-lo se os números estão a seu favor, apenas um título que voou entre os dedos, nessa mão fechada? O pássaro se foi, bateu asas e deixou só lembranças do seu canto melodioso pelas arquibancadas.

A queda de rendimento do time não pode ser atribuída somente a arbitragem, os cartões vermelhos e amarelos não acontecem por acaso. A falta de equilíbrio dos atletas resultam numa infantilidade de uma jogada mais ríspida e leva cartão; de uma bola mal passada, de um passe errado, de um posicionamento irregular. São fatores que se somam à falta de disciplina, de comando. A bem da verdade, a situação do treinador não é caprichosa. Se ele está prestigiado como diz o presidente, é porque ele vai cair a qualquer momento. Adilson Batista ficou desgastado depois de perder a Libertadores e Zezé Perrela não engole a falta desse título. O desmanche do time passou a ser prioridade de mudança, de postura e de refazer a motivação de todos, assim entende os diretores. Ramires, Gerson Magrão, Wagner já foram e daqui a pouco irá o Kléber. Certamente outros virão e essa fase ruim tende a passar. Só não pode acomodar e acumular insucessos, para evitar a queda para a Segundona.

* O Tigre tem que arrumar a casa com URGÊNCIA. Falta qualidade, e na falta desse quesito, enquanto não chega reforços, vontade, garra e raça têm que predominar dentro do Ipatingão, vencer e vencer, se impor. Que cada jogador dê uma resposta positiva dentro de campo em respeito à torcida e ao nome do Ipatinga.

* O Mineirão terá lotação máxima na quarta-12 e o Galo diante do Palmeiras terá a “massa” novamente fazendo a diferença.

* Marquinhos da Telecel, artilheiro do amador, também preocupado com a fase do Cruzeiro e com o baixo desempenho do Tigre.

 
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